
Caro Aurélio:
O
Tinha eu que entrar em contato com o Pastor Ricardo, meu cliente, chefe de uma Igreja da Rua Antonio Basílio e pedir sua autorização para tirar nova certidão de ônus reais, junto ao 11º Ofício de Registro de Imóveis.
No exato momento em que ia ligar para o Pastor, tocou o telefone. Atendi e ouvi do outro lado:
- É do escritório do Dr. Max? Quem fala é o Ricardo.
Surpreso com a coincidência e comentei:
- Que bom, Pastor! Ia ligar neste instante para o senhor.
O interlocutor (que era, na verdade, o
O “Pastor” reagiu de forma que me pareceu estranha, pois sempre se mostrara bastante liberal em matéria de dinheiro, dizendo:
- Não, Dr. Max, não aceito assumir essa despesa. As esmolas vêm escasseando e a situação financeira da Igreja, que já foi tranqüila, agora está num momento particularmente difícil. Não posso arcar com essa despesa.
- Bem, Pastor, vamos agora falar sério e sair do terreno das galhofas. Posso, afinal, tirar a nova certidão? O senhor autoriza?
E ele definiu a questão:
- Absolutamente, Dr. Max, não autorizo. Nunca falei tão sério em minha vida. A igreja não tem condições de assumir esse dispêndio, em face da escassez de esmolas. Os fiéis mudaram totalmente seu comportamento e não consigo mais as esmolas que outrora eram fartas.
Bem, nesse momento, em face do absurdo da situação, "caiu a ficha" e desconfiei que pudesse ser uma brincadeira, como, de fato, era. Agucei bem o ouvido no tipo de voz do interlocutor e verifiquei que era o
Max
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