O FALSO PASTOR


Caro Aurélio:

O Ricardo Tavares, sempre galhofeiro, não perde oportunidade para uma boa gozação. Veja o que ocorreu na semana passada em meu escritório.

Tinha eu que entrar em contato com o Pastor Ricardo, meu cliente, chefe de uma Igreja da Rua Antonio Basílio e pedir sua autorização para tirar nova certidão de ônus reais, junto ao 11º Ofício de Registro de Imóveis.

No exato momento em que ia ligar para o Pastor, tocou o telefone. Atendi e ouvi do outro lado:

- É do escritório do Dr. Max? Quem fala é o Ricardo.

Surpreso com a coincidência e comentei:

- Que bom, Pastor! Ia ligar neste instante para o senhor.

O interlocutor (que era, na verdade, o Ricardo Tavares) aceitou a situação que lhe foi oferecida de "bandeja" e passou-se, daí por diante, a comportar-se como se fosse o Pastor Ricardo. Expliquei-lhe minuciosamente que havia uma irregularidade na inscrição do imóvel e que nova certidão deveria ser tirada, em outro Ofício de Registro de Imóveis, com custo adicional de R$ 40,00, pedindo, de logo, sua autorização.

O “Pastor” reagiu de forma que me pareceu estranha, pois sempre se mostrara bastante liberal em matéria de dinheiro, dizendo:

- Não, Dr. Max, não aceito assumir essa despesa. As esmolas vêm escasseando e a situação financeira da Igreja, que já foi tranqüila, agora está num momento particularmente difícil. Não posso arcar com essa despesa.

Achei que era brincadeira do “Pastor” e falei:

- Bem, Pastor, vamos agora falar sério e sair do terreno das galhofas. Posso, afinal, tirar a nova certidão? O senhor autoriza?

E ele definiu a questão:

- Absolutamente, Dr. Max, não autorizo. Nunca falei tão sério em minha vida. A igreja não tem condições de assumir esse dispêndio, em face da escassez de esmolas. Os fiéis mudaram totalmente seu comportamento e não consigo mais as esmolas que outrora eram fartas.

Bem, nesse momento, em face do absurdo da situação, "caiu a ficha" e desconfiei que pudesse ser uma brincadeira, como, de fato, era. Agucei bem o ouvido no tipo de voz do interlocutor e verifiquei que era o Ricardo Tavares, que, evidentemente, riu a valer às minhas custas e comentou:

- Ora, você me ofereceu a bola "quicando" debaixo dos paus, sem goleiro e só tive o trabalho de empurrá-la para o gol. Não podia perder essa oportunidade...

Max

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