FRASES DE NELSON RODRIGUES

Colaboração: Acrisio

Nelson Falcão Rodrigues, dramaturgo - romancista – jornalista Nascido em Recife em 1912 Falecido no Rio de Janeiro em 1980

FRASES:

O marido não deve ser o último a saber. O marido não deve saber nunca

Dinheiro compra tudo. Até amor verdadeiro.

Certas esposas precisam trair para não apodrecer.

O brasileiro é um feriado.

O Brasil é um elefante geográfico. Falta-lhe,porém, um rajá,isto é, um líder que o monte.

Sou a maior velhice da América Latina. Já me confessei uma múmia, com todos os achaques das múmias.

Toda oração é linda. Duas mãos postas são sempre tocantes, ainda que rezem pelo vampiro de Dusseldorf.

O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota.

Na vida, o importante é fracassar.

A Europa é uma burrice aparelhada de museus.

Sexo é para operário.

O socialismo ficará como um pesadelo humorístico da História.

A pior forma de solidão é a companhia de um paulista.

Subdesenvolvimento não se improvisa. É obra de séculos.

As grandes convivências estão a um milímetro do tédio.

As mulheres são tão burras, tão burras, que sempre escolhem a hora errada.

Todo tímido é candidato a um crime sexual.

Todas as vaias são boas, inclusive as más.

O presidente que deixa o poder passa a ser, automaticamente, um chato.

Não gosto de minha voz. Eu a tenho sob protesto. Há, entre mim e minha voz, uma incompatibilidade inversível.

Sou um suburbano. Acho que a vida é mais profunda depois da praça Saenz Peña.

O único lugar onde ainda há o suicídio por amor, onde ainda se morre e se mata por amor, é na Zona Norte.

O brasileiro é um sujeito que gosta de fazer farra, é um desses que, em pleno velório, põe a mão na viúva.

O que atrapalha o brasileiro é o próprio brasileiro. Que Brasil formidável seria o Brasil se o brasileiro gostasse do brasileiro.

O carioca é esse sujeito fascinante só na base dos defeitos que tem.

Diga-se de passagem, que eu considero o brasileiro o maior sujeito do mundo. O europeu já está esgotado. O europeu tem na casa dele pires de mil anos. Escadas de mil anos. Tudo é velho pra burro. Já com o brasileiro é inteiramente diferente.

É trágica a falta de imaginação da paisagem no país desenvolvido. O desenvolvimento é burro, ao passo que o subdesenvolvimento pode tentar um livre, desesperado, exclusivo projeto de vida.

A única grã-fina do mundo é a Maria Antonieta. De então para cá nunca mais vi uma grã-fina. E muito menos uma grã-fina paulista que é gorducha, porque tem dinheiro à beça para comer.

Acho chato viajar de avião, não quero voar a não ser caso de vida ou morte. Tenho horror às viagens. A partir do Méier, começo a ter saudades do Brasil.

O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: ­ o da imaturidade.

Tudo passa menos a adúltera. Nos botecos e nos velórios, na esquina e nas farmácias, há sempre alguém falando nas senhoras que traem. O amor bem-sucedido não interessa a ninguém.

Nós, da imprensa, somos uns criminosos do adjetivo. Com a mais eufórica das irresponsabilidades, chamamos de "ilustre", de "insigne", de "formidável", qualquer borra-botas.

A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem.

O brasileiro não está preparado para ser "o maior do mundo" em coisa nenhuma. Ser "o maior do mundo" em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade.

Há na aeromoça a nostalgia de quem vai morrer cedo. Reparem como vê as coisas com a doçura de um último olhar.

O homem não nasceu para ser grande. Um mínimo de grandeza já o desumaniza. Por exemplo: ­ um ministro. Não é nada, dirão. Mas o fato de ser ministro já o empalha. É como se ele tivesse algodão por dentro, e não entranhas vivas.

Assim como há uma rua Voluntários da Pátria, podia haver uma outra que se chamasse, inversamente, rua Traidores da Pátria.

Está se deteriorando a bondade brasileira. De quinze em quinze minutos, aumenta o desgaste da nossa delicadeza.

O boteco é ressoante como uma concha marinha. Todas as vozes brasileiras passam por ele.

A mais tola das virtudes é a idade. Que significa ter quinze, dezessete, dezoito ou vinte anos? Há pulhas, há imbecis, há santos, há gênios de todas as idades.

Outro dia ouvi um pai dizer, radiante: ­ "Eu vi pílulas anticoncepcionais na bolsa da minha filha de doze anos!". Estava satisfeito, com o olho rútilo. Veja você que paspalhão!

Em nosso século, o "grande homem" pode ser, ao mesmo tempo, uma boa besta.

O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda.

Toda mulher bonita leva em si, como uma lesão da alma, o ressentimento. É uma ressentida contra si mesma.

Acho a velocidade um prazer de cretinos. Ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca.

Chegou às redações a notícia da minha morte. E os bons colegas trataram de fazer a notícia. Se é verdade o que de mim disseram os necrológios, com a generosa abundância de todos os necrológios, sou de fato um bom sujeito.

Sem sorte, não se chupa nem um chica-bom. Você pode engasgar com o palito ou ser atropelado pela carrocinha.

Só acredito nas pessoas que ainda se ruborizam.

O rico e o pobre são duas pessoas.
O soldado protege os dois.
O operário trabalha pelos três.
O cidadão paga pelos quatro.
O vagabundo come pelos cinco.
O advogado rouba os seis.
O juiz condena os sete.
O médico mata os oito.
O coveiro enterra os nove.
O diabo leva os dez.
E a mulher engana os onze.

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