PERDEU VOVÓ...

Estávamos no Tijuca jogando conversa fora, molhada à cervejinha do feriado. Papo descontraído sobre o Nilo e sua aguda visão para apontar bolas fora (afavor dele, claro); sobre o Jorjão e seus incontestes relatos; de mim e a perfeição do meu jogo no tênis, sobre e o Medeiros e seus especiais cuidados com os imprevistos, a ponta de inveja em relação ao felizardo new rich Jorge Farias, o dedo de Midas dos dirigentes do clube. Enfim, a mesma turma e as mesmas estórias.
Estava também o Ximenes, que contou – afirmando ser verdade verdadeira - que sua sogra lhe telefonou dizendo que o cachorrinho de estimação houvera morrido. Lamentos e lágrima. O fato é que,morando em apartamento, a sogra não sabia o que fazer com o cão morto. Então, o Ximenes sugeriu que ela colocasse o bichinho em um saco ou caixa de papelão, pegasse um táxi e o levasse para a casa dele, que, no quintal, daria um enterro digno pro bichinho. A velhinha pegou uma embalagem de televisão que comprara recente - onde estavam estampadas as características: “Sony 42 Polegadas, Tela Plana, Estéreo" - e, com a ajuda da empregada, colocou o cachorro dentro da caixa, pegou um táxi e mandou seguir para a rua tal, nº tal, a casa do genro.

No meio do caminho, ali na subida da Estrada do Grajaú, o motorista parou e, com um revólver na mão, disse: vovó, a senhora perdeu!...Prá fora!... Desesperada a sogra do Ximenes desceu do carro e só ouviu o ladrão, em disparada, gritar: É isso aí vovó, perdeu, deixa que eu cuido da TV...



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