INFORMÁTICA – ESSE MUNDO NOVO PARA MIM

De: Max Schlobach

Tenho setenta anos. Até um ano atrás, nada sabia – absolutamente nada - de computação. Ficava até assustado, confesso, quando me aproximava de uma máquina daquelas. À noite, sonhava que eram artefatos assustadoramente grandes, que iam crescendo, crescendo, à medida que se aproximavam de mim. Sentia-me encurralado – e aí acordava, assustado.

Mas, comecei a pensar, e senti que estava na hora de mudar. Tinha que entrar nesse mundo novo da informática. Percebi que, se não mudasse meu comportamento, iria me transformar praticamente num analfabeto. Estamos caminhando para isso. Porque afinal de contas, quase tudo ronda, hoje, em torno de computação e cada vez mais  essa ideia tende a se tornar real e se alastrar. Pensei com meus botões: “todo mundo assimila relativamente rápido a lidar com essas incríveis trapizongas”. Por que eu não vou conseguir? Tenho que correr para recuperar o tempo perdido. Observava que meu neto manobra com o computador como se fosse um brinquedo. Aprendeu sozinho. Todos os seus coleguinhas também. Ficava impressionado (e com inveja) quando via com que facilidade ele aprendia coisas novas nessa área. Quando tinha alguma dúvida sobre determinado assunto, perguntava a eles, eles ligavam o computador e  traziam logo a resposta – e por escrito.  Diziam que consultavam um tal “site de busca”, que eu não conseguia entender o que era. Maravilha...

Então, tomei coragem e resolvi comprar um computador. Fiz isso depois de muito hesitar.

Pedi assessoria a meu neto, para escolher a máquina certa para mim. Fomos a uma loja, e ele me aconselhou a comprar um notebook, por ser, segundo ele, mais prático. Compramos também uma impressora.

Coloquei o conjunto no escritório de minha casa e pensei: E agora? Como começar? Resolvi, em boa hora, me inscrever num curso de informática, voltado para a terceira idade, próximo a minha casa. O professor era um rapaz de mais ou menos 18 anos, que tinha um raciocínio incrivelmente rápido, muito articulado e parecia saber tudo de computação.    Será que algum dia vou chegar próximo a esse cara?
Bem, no começo, fiquei apavorado, achando que nunca chegaria lá. Tudo era novo para mim. Pensei até em desistir. Mas o tal rapaz foi paciente e atencioso comigo. Deu-me uma atenção especial. Isso foi fundamental para eu continuar.

Fui aos poucos me adaptando - e já no fim de dois meses, consegui aprender algumas coisas – evidentemente sem muita complexidade.
Hoje, um ano após ter me iniciado nesse mundo realmente extraordinário da computação, não me arrependo de minha decisão. Não podia imaginar quão agradável e prazeroso é desfrutar dessa maravilha.
Vejam só: tenho um filho que mora nos Estados Unidos e agora falo frequentemente com ele a custo zero pelo Skipe, vendo sua imagem. Incrível. Minha mulher achou isso fantástico.
Se for alinhar aqui o que consigo fazer hoje com meu computador, iria ocupar um bom espaço. Jamais poderia imaginar que poderia permanecer horas a fio na frente de minha máquina, pesquisando assuntos diversos. O Google é algo inacreditável. Com ele, você não precisa mais de enciclopédias. Doei a minha velha Barsa, pois ela se tornou inútil. Entendo agora porque meu neto e seus amigos davam respostas rápidas para minhas dúvidas.

Não posso dizer que seja hoje um expert em computação. Longe disso. Mas o que consegui aprender até hoje acho que me basta - e me dá muito prazer, fazendo-me matutar quanto tempo perdi, deixando de me ocupar – e me distrair -  com esse incrível recurso.
Resolvi escrever essas linhas especialmente para aqueles que ainda teimam em entrar nessa onda – que nem posso dizer que seja nova. Vocês, nem de longe, podem avaliar o que estão perdendo ...   

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Um comentário:

Aurélio disse...

A crônica do Max é, acima de tudo, um depoimento que reverencia a nossa geração, pois tivemos que correr atrás.