PASSEATAS E PROTESTOS

O Blog não é político e não pretende ser panfletário. Como o que está acontecendo no País, no meu entender, transcende e será um marco da história, vou transcrever um texto que postei para meus amigos no dia 15 de junho de 2013, portanto, no dia dessa primeira demonstração pública. 

Escrevi:

Não tenho formação em ciências humanas, meti pela economia e estatística. Isso, lá pelos fins de 67 (quando saí da aeronáutica) e quando o bicho pegava. Sem entrar no mérito do certo/errado, fazia parte da turma do mimógrafo que burlava a polícia e os "dedos duros" para fazer convites para as reuniões, assembleias, passeatas. Havia por trás desses atos algum tipo de ideologia, difusa e desconexa, que, no meu caso, tinha como pano de fundo a recente vivência, que eu contestava, da práxis na aeronáutica, onde vi, sem concordar, ações que eu nunca respaldaria. 

Hoje assistimos manifestações e essas concentrações para passeatas e protestos que não é juntada na base das cópias mimeografadas, mas via celular, Twitter e Facebook. Alastram pelo país (e, imagino, seguirão avante) e a turma que discute, bate e apanha, tem como mote o aumento de R$ 0,20 nas passagens dos ônibus. E alguns dizem que não andam de ônibus, mas defendem o direito das suas empregadas domésticas (fosse isso, melhor pedir que os seus pais aumentem os salários delas...). 

Não pode ser isso. Não havendo ideologia - mesmo que difusa e desconexa - o pretexto só faz sentido quando se mira o Brasil que temos. A juventude vê, tanto quanto todos nós, o que paira de muito errado no conjunto das nossas instituições; a falta de pejo no ataque aos bens públicos, de compostura, de... seria cansativo descrever o conjunto das nossas mazelas. 

Hoje tivemos um exemplo de que os brasileiros querem que o país receba uma inflexão na sua curva moral. A cara desenxavida da Presidente, sob vaias, tentando dar início aos festejos da Copa das Confederações, é um forte sinal, principalmente tendo ocorrido ali em Brasília, maior Produto Interno do país, centro (quase escrevo antro) das cabeças coroadas e premiadas com as benesses que desconfortam a todos nós. 

Não acho que as manifestações custem os R$ 0,20. Acho que elas devem custar mais e, com um foco correto, devem continuar, forçando com demonstrações pacíficas e ordeiras o enorme desagrado de todos os que acham que a coisa pública tem que ser tratada e cuidada como coisa pública, com probidade e proficiência.

Com os meus quase 75 de idade não me arrisco mais nem no mimiógrafo, mas que dá vontade dá.

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