A BANALIDADE DO MA - Hannah Arendt

E um comentário sobre tempos idos...

Recebi um e-mail que elogia o filme sobre Hannah Arendt, em especial a sua participação como jornalista e repórter do The New Yorker, no julgamento de Adolf Eichman, arquitecto da "Solução Final" ou "Solução Final da Questão Judaica", referindo-se ao plano nazista de genocídio sistemático contra a população judaica durante a 2ª Guerra Mundial. Como se sabe Adolf Eichman foi capturado, julgado e executado pelas autoridades israelenses em 1961-62. A implementação da "Solução Final" é considerada um dos aspectos mais hediondos do Holocausto, resultante do pensamento nazista de que os judeus eram um problema na sociedade européia e por isto deveriam ser eliminados. Hannah Arendta partir da cobertura jornalística que fez do julgamento, escreveu o livro "Eichmann em Jerusalém", onde considera que o grande exterminador dos judeus não era um demônio e um poço de maldade, mas alguém terrível e horrivelmente normal, um típico burocrata que se limitara a cumprir ordens, com zelo, sem capacidade de separar bem do mal. Esta perspectiva a contrapôs às organizações judaicas que a interpretaram falsa, abjurando fortemente a insinuação da cumplicidade dos próprios judeus na prática dos crimes de extermínio. No livro a escritora  descreve o desenrolar das sessões do julgamento e aponta para a complexidade da natureza humana, e identifica um certa "Banalidade do Mal" na análise que faz do indivíduo Eichmann, que teria agido como agiu por ter um enorme desejo de ascender na sua carreira profissional e seus atos terem sido resultado do cumprimento de ordens superiores, fazendo todo empenho em praticar o seu mister com zelo e eficiência, não impregnando os seu atos com o sentimento de  "bem" ou de "mal".  A história mostra que as vítimas do holocausto não foram somente os judeus, incluem-se aí os ciganos, os homossexuais, os deficientes, os Eslavos da Europa Oriental, os Poloneses, os Sérvios, os prisioneiros de guerra soviéticos, os crentes da Testemunha de Jeová, no entanto os judeus interpretaram aqueles atos de forma contundente e marcaram e marcam cotidianamente a sua indignação.

Um comentário sobre tempos idos:

Eu não conhecia a origem e o contexto da frase "banalidade do mal", mas já escutara e tinha visto análises sobre ações violentas e absurdamente desumanas explicadas com o mesmo argumento. Lembrei-me, no tempo lá atras, que uma pessoa profissionalmente próxima de mim, sob mando, tinha a fama de agir de forma insana e violenta. Os comentários eram que ele não tinha limites no exercício da função que lhe fora delegada. Recordo-me do viés servil que demonstrava no trato com superiores e a serenidade aparente com que tratava a situação. Era um cara tranquilo. Hoje, passados tantos anos, acho que eu poderia pensar na "banalidade do mal" da referida escritora, e explicá-lo como alguém que se limitava a cumprir ordens, com zelo, sem capacidade de separar o bem e o mal. 

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