POENTE


Aurélio Pimentel
Novembro-1997

No horizonte percebi o meu limite
Que sempre me pareceu distante
Lá no fim, indefinido e improvável.
Mas, de repente,
Sem guizo, riso ou ciso.
Como um sismo
O meu poente, urgente,
Aproximou-se.
Me convidando para o abismo.

Tive medo
Temi sem receio
De enfrentar o deserto
Incerto ou perto.
Não queria
Ir, assim, sem ter vontade.
Sem saber pra onde?
Ou donde?
Sem saber por quê?
Sem conhecer a verdade.

Achava muito cedo
E tinha medo.
Não do encontro como fim
Mas, por ser assim:
Surpreendente.
Transiente.
Incoerente.
E tão urgente.
Achava muito cedo,
Inimaginavelmente cedo
Pra dizer adeus de mim

Que fazer
Com minhas saudades do amanhã?
Que fazer
Com minhas vontades de ontem?

Cai,
Me machuquei.,
Quebrei.
Me cortaram.
Emendaram.
Acho até que sofri.
Mas estou aqui.

No calendário não fiz sessenta
Muito pouco tempo vivi.
E minha alma
Que mal deixou a placenta,
Hoje, alegre comemora:
Faz um ano que renasci.


Nota:
Em 30 de novembro de 1996, tive um acidente grave e passei perto “dela”. Um ano depois, comemorei.

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