Foi o Favila que me contou.No edifício em que ele morava, moravam também, na cobertura, um médico solteirão, boa vida e chegado a umas festinhas e, no apartamento logo abaixo, um almirante reformado, ranzinza e que, naturalmente, ficava muito aborrecido com as festa que o médico promovia. O almirante, volta e meia, reclamava comunicando ao síndico e fazendo as correntes de opinião contra o doutor.
Um certo dia deu um vazamento vindo da cobertura e o almirante fez uma carta, formal, rococó, exigindo que o vizinho médico providenciasse, imediatamente, a solução do problema. Fez a carta, chamou o porteiro e mandou que a entregasse ao doutor.
O porteiro pegou a carta e levou para o médico, que leu e foi logo dizendo ao porteiro:
- diga para o almirante que não tem problema, que eu já estou fazendo o conserto necessário e que ele mande fazer o reparo do que foi estragado na casa dele e me apresente a conta.
O porteiro já ia saindo com o recado quando o doutor lhe disse:
- Espera aí, deixa que eu respondo por escrito.
Pegou a carta que o almirante mandara, anotou o que tinha que anotar e, fazendo dobras, fez um barquinho com a missiva do almirante. Entregou-a para o porteiro, orientando a entrega.
O porteiro bateu na porta do apartamento do almirante e, cheio de humildade, entregou a encomenda.
Quando o almirante viu o barquinho considerou aquilo uma afronta e, apoplético, aos gritos dizia da sua importância, da sua posição social, coisas assim. E teve uma síncope, dessas brabas.
O porteiro assustado correu para a casa do vizinho médico em busca de socorro. O médico socorreu e, quando o almirante melhorou disse-lhe:
- Oh Almirante!. Isso é uma brincadeira. Onde está seu senso de humor?
Vou perguntar para o Favila como está a relação entre ambos, mas fica a moral da história: a vida é muito engraçada.
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