Estou fazendo trabalhos para uma firma em Macaé, RJ, onde vou, de ônibus, uma ou duas vezes por semana. Hoje, voltando, peguei meu assento na 1001 e do meu lado sentou-se uma rapaz muito gordo. Gordo e espaçoso, de corpo e alma. Foi logo puxando conversa dizendo que ainda bem que havia ar-condicionado; que gordo não suporta calor e, por aí foi, engrenando assunto sobre sua profissão de vendedor de planos de saúde.- e qual o seu plano?
Nem respondi e ele já garantiu que o plano que ele representava tinha as melhores condições, convidando-me a compará-las. Não fiz mas, nas contas dele, o plano da UNIMED dele é mais barato que o meu. Partiu para as diferenças e, meio-a-meio, malhava os demais planos, malhava os hospitais, máfias sem coração, etc. etc.
Eu quase não falava e, com o jornal no colo, arriscava, vez ou outra, o começo da leitura. E assim foi por um bom pedaço que, pelas tantas, se encerrou. O gordinho rebaixou a poltrona e, em muito pouco tempo, já roncava e expulsava o meu braço do apoio lateral. Me ajeitei como pude e tentei tirar uma soneca. Não sei por quanto tempo, mas, ao sinal do celular, o rapaz acordou e começou um diálogo que não pude deixar de ouvir, por que era sonoridade pura.
- Amorzinho, que bom que você ligou! Tô morto de saudade! Sim, eu sei... olha, em pouquinho vamos estar juntos, eh!... eh!...
O gordinho continuou em tom romântico:
- Lindinha (não sei se era nome), Lindinha, olha, uma beijoca cheia de saudade, uma outra beijoca cheio de carinho, outra beij...
Parou no meio da beijoca e mudou o tom:
- Não é bem assim... Não quero falar mais disso... sabe, esse assunto já está esgotado...
Dava um tempo, escutava e continuava:
- Não! não! (com o tom da voz aumentando); quer saber de uma coisa, não me enche o saco, fico trabalhando o dia inteiro e você, pelo celular, vem me aporrinhar. Olha, vá prá $#$@. O meu celular está acabando a bateria; escuta: plin, plin, plin...Fechou a tampa do celular e, virando-se para mim:
- não aguento mais essa vaca!
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