AS COINCIDÊNCIAS DA VIDA

Faz tempo isso. Fomos a uma festa de aniversário e lá estava boa parte da turma do Secos $ Molhados. Como de outras vezes, as esposas, todas amigas, de um lado e os marmanjos doutro. Na roda das senhoras acontecia um papo animado e a dona da casa era, naturalmente, o centro das atenções. Vez por outra o marido, que fazia parte do nosso grupo de tenistas, trocava carinhos com a mulher. Era bonito ver a afeição que tinham um pelo outro. A festa foi ótima. Poucos dias depois, estávamos em Orlando, na Disney, em férias, nós e os filhos. Enfrentávamos aquelas filas imensas, em zigue-zague, e cruzávamos com os mesmos grupos várias vezes. De repente eu vi o nosso amigo, o aniversariante da festa, na fila, num grupo que se aproximava. Estava acompanhado de uma moçoila bem mais nova, com as evidências de um romance clandestino. Preocupei-me fortemente com a situação, principalmente com a hipótese da Naura, minha mulher, ver a cena e dizer-lhes, sei lá o quê. Fiz um movimento e consegui distrair a minha madama. Eu e nosso amigo fingimos desconhecer-nos e ele passou ao lado. Já fiquei imaginando quantas vezes teríamos que repetir a encenação e pior, quantas vezes teria que encontrar motivos para distrair a Naura, evitando o pior. E a fila andava....mas na outra volta já não os vi, pois tomaram a sábia decisão de ir em busca de outra atração.
Esse acaso, por si só já seria especial, um belo exemplo de coincidência. Mas tem mais: a moça residia no mesmo prédio onde morávamos. Isso é mais que coincidência; é ou não é uma puta coincidência?...

De volta, no Brasil, trocamos somente um olhar de cumplicidade, com juras de segredo eterno. E eu nunca mais vi a minha vizinha.


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