A PARTIDA DE TÊNIS MAIS LONGA DA HISTÓRIA
Foram 980 pontos, 216 aces e 11h05m (onze horas e cinco minutos!) até que John Isner (americano) acertou uma passada na paralela, quebrou o saque de Nicolas Mahut (frances) e fechou o 183º e último game da partida mais longa da história do tênis. Por 6/4, 3/6, 6/7, 7/6 e 70/68; foram acertados 216 aces, sendo 113 do americano, outro recorde, colocando fim à partida que começou dois dias antes, ainda pela primeira rodada do Torneio de Wimbledon, em junho de 2010.
NÚMEROS DA PARTIDA HISTÓRICA
| ISNER | MAHUT | |
Ambos na foto
A partida se realizou em três dias. No final do 2º dia, Bruni Ferraz escreveu a crônica abaixo.
Col. Carlos Otto
A partida sem fim
Por Bruni Tomaz(Estudante de Filsofia)
É noite. Um dedicado avô conta histórias para o seu neto...
Durante o dia, assistiram juntos às partidas, em Wimbledon. O velho senhor fora homenageado por todos.
Uma fagulha acendera no jovem garoto. O interesse no tênis brotou no garoto.
E o avô, tenista aposentado, pôs-se a contar histórias ao neto.
Mostrou-lhes os campeões: Sampras. Federer. Nadal. Borg. O neto faz uma
pergunta ao avô. A pergunta arranca o chão do senhor. Sua respiração se
altera a medida que uma enxurrada de lembranças o atinge.
“Qual foi o maior jogo da história de Wimbledon?”
O avô reúne suas forças e começa a contar.
“Por que a partida não acaba, vô?”, perguntou o neto.
“Wimbledon possui uma regra sábia, meu neto. Ela não força o fim do jogo. Lá, o jogo só acaba quando acaba”, disse o avô. E o neto fez um “Ah…”, como se houvesse captado uma verdade universal.
O avô seguiu contando sua história.
“O segundo dia…”
Como explicar o que aconteceu naquele segundo dia? Como contar ao neto sobre a partida de proporções épicas? Como expressar seus sentimentos a respeito dela? Daquele dia mágico que o tornara um homem melhor. Como falar do fenômeno que ali aconteceu? O velho senhor sentiu-se inseguro, como se precisasse salvar três break points contra um campeão. Ele respirou fundo, pôs-se a tentar.
Como explicar o que aconteceu naquele segundo dia? Como contar ao neto sobre a partida de proporções épicas? Como expressar seus sentimentos a respeito dela? Daquele dia mágico que o tornara um homem melhor. Como falar do fenômeno que ali aconteceu? O velho senhor sentiu-se inseguro, como se precisasse salvar três break points contra um campeão. Ele respirou fundo, pôs-se a tentar.
Nele, fui tenista – só tenista. Pura e simplesmente tenista, sem me importar com mais nada. Éramos só nós dois e o Tênis. Nossa partida atravessou o dia. Não queríamos que acabasse. O público – o Federer estava entre eles – gritava: ‘Parem a partida e deem o troféu do torneio para os dois!’, mas não queríamos troféu nenhum. Queríamos simplesmente continuar jogando e sentindo a mágica acontecer. Não sentíamos nossos corpos por causa do cansaço, mas aquela coisa maior nos fazia continuar”.
“Quando estava 59-58, eu tinha um break
point ao meu favor. A partida poderia acabar ali, e eu temi por isso.
Aquele dia me fez descobrir exatamente a dimensão do meu amor pelo
tênis. Não queria que acabasse, queria jogar para sempre. Enquanto meu
adversário preparava o seu saque, eu pedia aos céus que o saque dele
fosse o melhor de todos. Do contrário, nossa conversa terminaria ali.
‘Não pise na linha…’, eu pensava. ‘Acerte esse saque…’, eu pensava. Tudo
o que eu desejava é que nosso abraço fosse tão longo quanto possível. E
ele acertou um super ace e não me deu chance nenhuma de defesa”,
completou, com os olhos já marejados. O neto continua ouvindo
atentamente. “59-59. 10 horas de jogo. Ficou escuro. Os juízes ordenaram
que o jogo fosse interrompido. Nós dois protestamos, queríamos continuar
jogando.
Mas não tivemos escolha, e fomos obrigados a ir para um terceiro dia de jogo…”
Mas não tivemos escolha, e fomos obrigados a ir para um terceiro dia de jogo…”
O avô sorriu para o neto, enxugando as lágrimas. E enquanto o colocava para dormir, lhe disse, com toda a sabedoria do mundo: “Isso não é importante” E o neto dormiu. E o avô também se pôs a dormir. E, em seus sonhos, continuou o amoroso diálogo com seu amigo. Um abraço que só terminará quando o amor na terra sumir.
Pequena história escrita logo após a segunda interrupção do jogo entre Nicolas Mahut e John Isner, no dia do jogo).
A partida já dura mais de 10 horas e está empatada em 59-59....
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